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CINEBOOKS - Comer, Rezar e Amar

  • obookinhoclube
  • 24 de mai.
  • 2 min de leitura

No CineBooks de hoje, a indicação é Comer, Rezar e Amar, a clássica adaptação do livro de Elizabeth Gilbert que conquistou milhares de leitores e espectadores ao redor do mundo justamente por falar sobre algo tão humano: o processo de se perder de si mesmo e tentar, aos poucos, se reencontrar.

A história acompanha Liz, uma mulher aparentemente bem sucedida, mas que após um divórcio doloroso percebe um enorme vazio dentro de si. Cansada de viver presa a uma rotina sem sentido e tentando preencher a própria vida com aquilo que já não a fazia feliz, ela decide abandonar tudo por um ano e embarcar em uma jornada de autoconhecimento. Itália, Índia e Bali se tornam muito mais do que destinos turísticos: cada lugar representa uma etapa da reconstrução da personagem.


O que torna Comer, Rezar e Amar tão especial é justamente a maneira como ele conversa de forma diferente com cada pessoa. Dependendo da fase da vida em que estamos, o filme pode parecer apenas uma história leve sobre viagens ou se transformar em um verdadeiro espelho emocional. Afinal, em algum momento, todos nós já sentimos a necessidade de parar, respirar e entender quem somos longe das expectativas do mundo.



Um dos momentos mais marcantes da trama acontece em Roma, quando Liz escreve um email para o ex-marido após visitar o Augusteum, antiga construção romana que sobreviveu ao tempo, às guerras e às destruições. Ao observar aquelas ruínas, ela percebe algo profundamente simbólico: muitas vezes permanecemos presos à dor porque temos medo da mudança. Preferimos continuar infelizes no conhecido do que enfrentar o desconhecido da transformação.

É nesse instante que o filme entrega uma de suas reflexões mais bonitas: as ruínas não representam apenas fim, mas também reconstrução. Tudo aquilo que desmorona em nós pode, eventualmente, encontrar uma nova forma de existir. A dor deixa de ser apenas perda e passa a ser parte do caminho para o recomeço.



Outro trecho inesquecível surge já no final da história, quando Liz finalmente encontra um equilíbrio espiritual e, justamente por isso, teme se apaixonar novamente. O medo de perder o controle, de sair do eixo e sofrer outra vez faz com que ela hesite diante de um novo amor. É então que Ketut, o sábio guru balinês, diz uma frase que resume perfeitamente uma das grandes mensagens do filme:

“Às vezes, perder o equilíbrio por amor faz parte de viver a vida com equilíbrio.”

Talvez seja justamente isso que torna essa obra tão sensível. Ela não romantiza a dor, mas entende que viver exige coragem. Coragem para mudar, para deixar para trás aquilo que machuca, para aceitar as próprias ruínas e compreender que recomeçar faz parte da experiência humana.



Mais do que um filme sobre viagens, Comer, Rezar e Amar fala sobre saúde mental, vazio emocional, espiritualidade e reconstrução pessoal. Sobre entender que nem sempre estar perdido significa fracasso. Às vezes, é apenas o começo da transformação.

No fim, Liz nos lembra que tudo bem não ter todas as respostas. Tudo bem precisar de tempo. E, principalmente, tudo bem estar em ruínas de vez em quando, porque é justamente delas que nascem as versões mais fortes de nós mesmos.


Disponivel na Netflix

 
 
 

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