Figura Só - Tarsila do Amaral (1930)
- 7 de abr.
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Hoje damos início ao quadro Quinta da Arte, onde trarei um pouco sobre Arte e o significado por trás de obras conhecidas, e não podia começar com outra pessoa além dela, Tarsila, essa artista que eu amo e admiro tanto!!!
Essa pintura foi a única que Tarsila pintou no ano de 1930, é diferente de muitas obras coloridas e vibrantes que Tarsila produziu pouco antes, aqui, a cor perde o brilho, o mundo parece mais pesado. E isso não é por acaso.
Esse foi um ano de ruptura. A família de Tarsila, que vinha de uma grande fortuna ligada ao café, perdeu quase tudo com a crise econômica mundial iniciada em 1929, o Brasil também atravessava uma grande mudança política, com o fim da República Velha e o início da Era Vargas, o país, assim como o mundo, entrava em um período de incerteza.
E, no plano mais íntimo, Tarsila viveu uma dor profunda: a separação de Oswald de Andrade, seu marido e parceiro intelectual, que a deixou para viver com Pagu, um rompimento público, doloroso, que marcou sua vida pessoal e emocional. Nada mais era como antes, nem mesmo Tarsila.
A pintura parece carregar tudo isso, a solidão, o fim de um ciclo, a sensação de estar diante de um futuro desconhecido, por isso, muitos a consideram um autorretrato, não um retrato do rosto de Tarsila, mas do seu estado de espírito.
"Uma mulher sozinha diante do mundo, atravessada pelo vento da mudança, tentando permanecer de pé enquanto tudo ao redor se transforma."
Um vento forte atravessa a cena e empurra tudo para fora do lugar, no centro, uma mulher sozinha, de costas, parada numa paisagem noturna, o chão é verde-oliva, o céu é de um azul profundo, quase pesado, o clima é frio, silencioso, um pouco hostil, como se o mundo ao redor não fosse exatamente um lugar de conforto.
O vento movimenta os cabelos longos e ondulados da figura, lançando-os para fora da tela, criando uma sensação de drama, de instabilidade, de algo que não está em paz. Ela veste um traje cor-de-rosa, que contrasta com a paisagem escura, quase como uma tentativa de delicadeza em meio à dureza do cenário.
Não vemos seu rosto, não sabemos exatamente o que ela sente, mas o próprio formato do corpo, alongado, semelhante a uma lágrima, diz muito, tem ali um estado de introspecção, talvez de tristeza, talvez de recolhimento. Ela parece olhar para o infinito, como quem procura respostas em um lugar que não responde.
Ao fundo, surgem formas verdes, vegetações fantásticas e verticais elementos que já apareciam em outras obras de Tarsila, mas aqui, elas não são luminosas nem alegres.
Tudo é mais escuro, mais contido, mais silencioso.
FONTES: MASP.ORG



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