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Quinta da Arte - Amendoeira em Flor (1888 a 1890)

  • 7 de abr.
  • 2 min de leitura

Para alguns, já não é novidade que Vincent van Gogh teve, entre várias inspirações artísticas, grande influência da arte japonesa em suas obras. Um exemplo frequentemente citado é o paralelo entre A Noite Estrelada, sua pintura mais famosa, e A Grande Onda de Kanagawa, de Katsushika Hokusai.



Em Amendoeira em Flor, percebe-se novamente essa influência. O artista escolhe uma perspectiva relativamente incomum para retratar a cena, ao menos no ocidente. Os galhos são pintados de baixo para cima, como se o observador estivesse deitado na grama e olhando para o céu. Essa escolha faz com que alguns elementos desapareçam do campo de visão, mas, ao mesmo tempo, amplia os detalhes da natureza, algo profundamente valorizado por van Gogh.



No caso específico de Amendoeira em Flor, o simbolismo é ainda mais sutil e sensível. As amendoeiras florescem no início da primavera, a estação favorita de Vincent. Suas flores anunciam a chegada dessa época do ano e carregam consigo a ideia de renovação, um lembrete de que, assim como a natureza, também podemos recomeçar.



Para van Gogh, esse simbolismo era ainda mais pessoal. Quando pintou a obra, ele já estava internado havia quase dez meses em uma instituição, enfrentando crises relacionadas à depressão e ao transtorno afetivo bipolar. Havia semanas que não pintava. No entanto, quando recebeu permissão para voltar a trabalhar, cercado pela natureza, dedicou-se intensamente à pintura.



O esforço, porém, teve um custo alto. Após terminar o quadro, sofreu uma crise que durou quase dois meses, a mais longa de sua vida. Quando se recuperou, percebeu que a primavera, sua estação favorita, já havia passado.



Mas o que realmente motivou a criação de Amendoeira em Flor não foi apenas a chegada da primavera. A pintura foi concebida inicialmente como um presente para seu sobrinho recém-nascido, filho de Theodorus e Johanna, que nasceu em 31 de janeiro de 1890. O menino recebeu o próprio nome do tio em homenagem a ele: Vincent.



Ao receber a notícia do nascimento, o artista ficou profundamente emocionado e começou a trabalhar imediatamente na pintura. Nos detalhes da obra, é possível perceber a precisão com que os diferentes tons de azul são distribuídos e a delicadeza das pinceladas, sinais de um trabalho feito com cuidado, carinho e esperança.



Logo que Theodorus e Johanna receberam Amendoeira em Flor como presente, a pintura se tornou um dos bens mais preciosos da família. Inicialmente, foi pendurada acima do piano na sala de estar do casal. Após a morte de Theo, Johanna mudou-se para Bussum, na Holanda, levando o bebê e deixando o quadro no quarto que dividia com o filho.



Vale lembrar que Johanna foi uma figura fundamental para a história da arte. Foi ela quem trabalhou para divulgar e vender diversas pinturas de Vincent van Gogh, contribuindo diretamente para o grande sucesso póstumo do artista. Ainda assim, Amendoeira em Flor nunca foi vendido. O presente era precioso demais para ela, tanto como lembrança do cunhado que havia homenageado seu filho quanto do marido que havia perdido. Hoje, a obra pode ser vista no Museu Van Gogh, em Amsterdã.


 
 
 

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