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Bookinho Indica: Para Dar Nome As Coisas.

  • Foto do escritor: Tainá Araujo
    Tainá Araujo
  • 22 de jun.
  • 3 min de leitura

Não me recordo exatamente quando ouvi, pela primeira vez, um episódio do podcast Para Dar Nome às Coisas, estrelado pela incrível jornalista, roteirista, comunicadora e escritora Natália Sousa. O que eu lembro é que, depois daquele primeiro contato, passei semanas em uma verdadeira maratona, ouvindo um episódio após o outro, até chegar ao ponto de esperar ansiosamente toda quarta-feira por um novo lançamento.

À primeira vista, talvez ele pareça um podcast voltado para pessoas 30+, ou para quem já viveu determinadas experiências da vida adulta. Mas, para mim, ele sempre foi sobre algo muito mais universal: a tentativa de compreender a nós mesmos.

Aliás, o próprio título do podcast passou a ter um significado muito pessoal para mim. Aprender a dar nome às coisas que sinto foi uma das lições mais importantes que a terapia me trouxe. Porque, quando conseguimos nomear uma dor, uma ansiedade, um medo ou até aquele sentimento confuso que parece não fazer sentido, tudo se torna um pouco mais leve de carregar. Não porque o problema desaparece, mas porque ele deixa de ser um desconhecido.

Hoje acredito que não existe emoção que não possa ser compreendida, acolhida e, de alguma forma, nomeada. E é justamente nessa clareza que encontramos caminhos para viver melhor aquilo que sentimos. Muitas vezes, o nosso corpo já sabe o que está acontecendo muito antes de nós. Ele comunica o tempo todo: através do cansaço, da inquietação, da falta de ar, da irritação, do entusiasmo ou daquela sensação difícil de explicar que insiste em permanecer. Aprender a escutá-lo é, também, uma forma de autoconhecimento. E dar nome ao que ele tenta nos dizer é o primeiro passo para entender o que precisamos fazer com aquilo.

Sou apaixonada por autoconhecimento, terapia e por todas as formas de entender melhor a nossa mente. E foi justamente o episódio mais recente, lançado na semana retrasada (09/06/2026), intitulado "Coragem, incerteza e o que acontece no caminho", que despertou uma reflexão que ficou comigo por algum tempo. Nele, a Nath fala sobre algo que, no fundo, todos nós fazemos: ensaiamos a vida.

Ensaiamos para um projeto profissional, para uma nova fase acadêmica, para um relacionamento, para uma mudança de cidade, para um encontro importante ou até para um encontro do clube do livro. Planejamos, imaginamos cenários, antecipamos diálogos e tentamos estar prontos para o que vem pela frente.

Mas quando chega a hora de viver aquilo que foi tão cuidadosamente planejado, a realidade quase nunca corresponde exatamente ao que imaginamos, para melhor ou para pior.

E talvez seja justamente esse o ponto.

A gente só aprende vivendo.

A gente só se cura vivendo.

A gente só descobre quem é vivendo.

Esse episódio tocou especialmente uma parte minha que ainda luta contra a necessidade de controle. Há muito tempo venho trabalhando, na terapia, para flexibilizar essa rigidez, para aceitar que nem tudo pode ser previsto, calculado ou garantido. E ouvir essa reflexão foi um lembrete importante de que algumas respostas não surgem antes da experiência. Elas surgem durante o caminho.

Por mais que estudemos, nos preparemos e tentemos antecipar cada possibilidade, existe um aprendizado que só acontece quando estamos, de fato, vivendo. Não existe ensaio capaz de reproduzir a experiência real. E, por mais assustador que isso possa parecer para quem gosta de ter tudo sob controle, também existe uma enorme beleza nessa incerteza.


E esse é apenas um episódio entre tantos outros que já me acompanharam.

Em diversos momentos, tive a sensação de que a autora havia participado de alguma sessão de terapia minha e, logo depois, transformado aquelas conversas em um episódio. Claro que isso não aconteceu. O que acontece é algo muito mais bonito: ela fala sobre experiências humanas.

E aí fica uma segunda reflexão, talvez tão importante quanto a primeira: a importância de falar.


De compartilhar.

De contar nossas histórias.

Porque, muitas vezes, aquilo que acreditamos ser uma dor exclusivamente nossa também habita outras pessoas. Quando alguém encontra palavras para nomear aquilo que sentimos, percebemos que não estamos tão sozinhos quanto imaginávamos.


Talvez seja por isso que eu goste tanto de livros, de clubes de leitura e de podcasts como este.


Eles nos lembram que nenhuma experiência é totalmente única, e que existe um enorme conforto em descobrir que alguém, em algum lugar, também já sentiu algo parecido.

No fim, talvez seja justamente isso que tanto me faz voltar ao Para Dar Nome às Coisas: a lembrança constante de que compreender a nós mesmos não significa ter todas as respostas, mas aprender a fazer perguntas melhores. E que, muitas vezes, o primeiro passo para atravessar qualquer sentimento é simplesmente reconhecê-lo, acolhê-lo e dar a ele um nome.


Por: Tainá S. A. Duarte





2 comentários


Taina Araujo
Taina Araujo
22 de jun.

Ameei compartilhar uma das minhas paixões para o clube!!! Só digo, ouçam o podcast 🩵

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obookinhoclube
22 de jun.

Amei!! Eu como uma pessoa controladora, fico tentando encontrar formas de “controlar” (rs) isso e tentar ser uma pessoa mais leve, levar a vida com mais leveza

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